Visões do Mundo Contemporâneo – IV

Simpósios Temáticos

1. HISTÓRIA, CINEMA E GUERRA

  • Profa. Dra. Andreza Santos Cruz Maynard (GET/CODAP/PROFHISTÓRIA/UFS)
  • Prof. Me. Francisco Diemerson de Sousa Pereira (Pio X-PPGHC/UFRJ-GET/UFS)

Nas últimas décadas, vimos surgir um número considerável de trabalhos cujas análises envolvem temas que orbitam as múltiplas relações entre a história e o cinema. O uso crescente dos filmes como fonte para a pesquisa, suscitou uma série de debates no campo da história, além de ter provocado uma diversidade de reflexões teóricas e metodológicas. O papel do filme como documento histórico e mesmo como “agente da história”, conforme Marc Ferro, tem sido objeto para discussão entre historiadores, englobando uma série de mecanismos desde a produção, passando pela distribuição e exibição dessas produções. Este simpósio busca contemplar trabalhos que se debrucem sobre as afinidades entre a história, o cinema e as guerras, abrindo espaço para questões acerca das relações de poder, das lutas políticas, da influência cultural dos filmes, dos papeis desempenhados pelos diversos agentes sociais ao longo do tempo – privilegiando-se o protagonismo social, agregando discussões e estudos que discorram sobre o uso da narrativa fílmica para o entendimento sobre o passado e presente.

2. INTERCÂMBIOS CULTURAIS, TÉCNICO-CIENTÍFICOS E EDUCACIONAIS NO SÉCULO XX

  • Profa. Ma. Adriana Mendonça Cunha (GET/UFS-PPGHCS/COC/FIOCRUZ)
  • Profa. Ma. Talita Emily Fontes da Silva (GET/UFS-PPGHCS/COC/FIOCRUZ)

Os indivíduos circulam, interagem, trocam conhecimentos. O olhar atento do historiador, ao longo das últimas décadas, tem voltado sua atenção para esses processos de circulação, que se manifestam de distintas formas no campo social. Nesse sentido, os estudos que se ocupam em investigar as promoções de intercâmbios se conectam a essa perspectiva, uma vez que tais empreendimentos trazem em sua essência o encontro entre homens e mulheres de culturas distintas, que buscam construir espaços de contato, troca e compreensão mútua. Por sua vez, especialmente no século XX, os intercâmbios foram incorporados como pertinentes instrumentos políticos, tendo em vista o interesse de várias nações em tecer redes internacionais de “boa vontade”. Logo, a proposta deste ST é reunir pesquisas que investigam os múltiplos aspectos que envolvem a promoção de intercâmbios culturais, técnico-científicos e educacionais no século passado. Contemplando, assim, estudos que se debrucem sobre viagens de educadores, artistas, pesquisadores e estudantes sejam com elas como parte de iniciativas privadas, pessoais ou estatais.

3. OLHARES SOBRE AS GUERRAS DOS SÉCULOS XX E XXI

  • Prof. Me. Andrey Augusto Ribeiro dos Santos  (GET/UFS-GPPI/PPGHC/UFRJ)
  • Profª. Ma. Raquel Anne Lima de Assis (GET/UFS-PPGHC/UFRJ-UFRRJ)
  • Apesar das expectativas iniciais, o século XX trouxe um novo patamar de conflito e um constante estado de guerra, sendo marcado principalmente pelas duas Grandes Guerras Mundiais, seguidas pela Guerra Fria. As duas primeiras mostraram ao mundo o poder da destruição em massa e os efeitos de uma guerra total. Já a Guerra Fria, deixou o mundo em alerta quanto à iminente ocorrência de uma guerra nuclear, com o conflito se estendendo aos campos políticos, culturais e tecnológicos. Na virada de século, apesar da queda do comunismo e do avanço da tese do Fim da História, o que se viu foi a disseminação de diversos conflitos de ordem étnica e territorial, além da ascensão do terrorismo de diversas vertentes desde a década de 1990 até os dias atuais. Considerando isso, este simpósio temático busca reunir pesquisas que se debruçam sobre os diversos conflitos ocorridos ao longo dos séculos XX e XXI e nos desdobramentos causados por eles, promovendo a discussão e divulgação desses trabalhos, além do aperfeiçoamento e do intercâmbio de experiências de pesquisa.

    4. COVID-19 E O ENSINO REMOTO

    • Profª Ma. Caroline de Alencar Barbosa (GET/PPGED/UFS)
  • Profª Ma. Ana Beatriz Santana Andrade (GET/UFS)
  • O século XXI vem intensificando as discussões acerca da educação e sua prática. Questionamos-nos qual formato de ensino-aprendizagem mais se adequa aos novos cenários, recursos e objetivos almejados. Eis que, em 2020, uma ameaça invisível, desconhecida e misteriosa, assola o mundo inteiro. De repente, 188 países se tornam reféns desse inimigo cruel e impiedoso. Uma doença que ressignificou as relações humanas, econômicas e profissionais. A COVID-19 fragilizou a ciência e a colocou numa corrida frenética em busca da cura. Em busca do restabelecimento do normal, ou melhor, do antigo normal. Nesse cenário, enquanto professores, nos vemos inseridos numa realidade em que o ensino remoto se tornou a única ferramenta para manter acesa a luz da produção do conhecimento. Consideramos relevantes pesquisas e relatos de experiência que apresentem essa nova realidade e seus desafios, a fim de discutir a educação básica em suas diversas áreas e compartilhar conhecimentos, práticas e novas abordagens.

    5. REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE

    ·        Profª Drª Cristiane Tavares F. de M. Nunes (GET/UFS)

    ·        Profª Drª Sônia P. da Fonseca (GPEG/UESC)

    A Educação permite assegurar a formação e o desenvolvimento intelectual e moral do ser humano, aliando didática e ensino a uma proposta de construção de um ser humano mais integral. As abordagens que resultam em aprendizagem, incorporam práticas e saberes por um olhar diferenciado para o aluno, considerando sua integralidade e seu contexto de vida. A atuação da Pedagogia, enquanto profissão, requer também, afora os aspectos técnicos, o ensino socioemocional, presente na Base Nacional Comum Curricular, como um guia em relação às habilidades e atitudes para atuação na sociedade. O desenvolvimento de competências socioemocionais introduz a inteligência emocional como um ingrediente a ser desenvolvido dentro de uma sala de aula. Nesta perspectiva, este Simpósio Temático pretende reunir trabalhos que reflitam sobre a Educação, a formação de professores, as dificuldades de aprendizagem e os aparatos tecnológicos, presentes cada vez mais no cotidiano escolar.

    6. IMAGEM, POLÍTICA E HISTÓRIA

    • Prof. Dr. Antônio M. Elíbio Jr. (PPGDH/UFPB)
    • Profa. Ma. Maria Luiza Pérola Dantas Barros (GET/UFS)

    Um dos fundadores da Revista Annales, o historiador francês Marc Bloch, afirmava que a história tem a virtude de ser poética e ter uma estética própria. Contrariando a tese positivista, Bloch dizia que a fonte é o resultado de uma construção ativa do pesquisador que a constitui como um documento. As imagens, em seus múltiplos e variados suportes, vêm se tornando em especial uma possibilidade de pesquisa que permite entrever o campo de produção e circulação, os mecanismos de representação da realidade, a estética da linguagem, as estratégias narrativas, as preferências e sensibilidades na edição, a trajetória dos objetos, enfim, a impressão de uma realidade histórica. Para a análise dos domínios da política, como afirma René Rémond, de concorrências e interdições, torna-se inextricável a investigação de imagens e suas bases rituais. Nesse sentido, esse ST visa permitir a aproximação e o diálogo entre os trabalhos que utilizam “as imagens” como objeto e/ou fonte de pesquisa histórica. Cinema, fotografia, monumentos, televisão, charges, caricaturas, anúncios publicitários constituem alguns desses suportes imagéticos.

    7. HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DOS FASCISMOS NO TEMPO PRESENTE

    • Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva (UFRJ)
    • Dr. Karl Schurster (UPE)

    Com a eleição de Donald Trump, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro e Rodrigo Duterte, ficou comum, e até mesmo banalizado, o uso do conceito de fascismo. Adorno, num ensaio dos anos ’60 do século passado, deixou claro que o fascismo será um problema enquanto as condições sociais para sua reprodução continuarem persistindo. Com o interesse de agregar estudiosos sobre a ressurgência desse fenômeno que tem sido insistentemente comparado com os anos 1930 e 1940, esse simpósio temático pretende discutir os limites de uso desse conceito para diferentes fenômenos ao redor do mundo. Estaríamos vivendo aquilo que Ernst Nolte chamou em 1963 de uma nova “época dos fascismos?”.

    8. HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE NO ENSINO DE HISTÓRIA

    ·        Prof. Dr. Itamar Freitas (PROFHISTORIA/UFS)

    ·        Profa. Dra. Margarida Oliveira (PROFHISTORIA/UFRN)

    Nos últimos sete anos, ensinar História do Tempo Presente deixou de ser uma inovação para incorporar uma função básica do professor de História em ambiente escolar. Em pouco tempo, os professores viram-se compelidos a explicar não apenas a utilidade do ensino de História, mas também justificar a ínfima presença das questões sensíveis nos currículos
    prescritos, diante do inusitado avanço do pensamento conservador obscurantista no Brasil. Neste Grupo de Trabalho queremos saber se e como você está lidando em sala de aula e/ou na construção de material didático com questões que envolvem: violência contra a mulher, homofobia, racismo, fascismo e negacionismo. Queremos também conhecer os usos que você tem feito dos conceitos e das proposições que os estudiosos da História do Tempo Presente
    têm disseminado nos últimos 10 anos. Venha dialogar conosco.

    9. VISÕES INSUBMISSAS DO PATRIMÔNIO CULTURAL NA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE

    • Profa. Dra. Janaina Cardoso de Mello (GET/DHI/PROFHISTÓRIA/UFS)
    • Profa. Dra. Raquel Miranda Barbosa (DHI/PROMEP/UEG)

    Na historicidade do tempo presente, o patrimônio cultural, em suas várias matizes, edificado e intangível, nacional e internacional, tem sido palco e alvo de tensões, conflitos e polêmicas. Pensar sobre o Ensino de História e do Patrimônio Cultural no momento atual requer um debate crítico e propositivo sobre as dinâmicas da mudança, demandas de distintos grupos socioeconômicos e étnicos-raciais, além de novos modelos de gestão de bens culturais. Patrimônios contestados, derrubados, ressignificados trazem novas possibilidades frente aos órgãos reguladores como IPHAN, ICOM, ICOMOS, UNESCO e também mediante os processos de digitalização contemporâneos. Os conceitos de identidade, salvaguarda e lugares de memória exigem quebras de paradigmas e redefinições, pois muitas ideias se tornaram ultrapassadas e um novo arcabouço teórico se faz necessário, atualizado e adequado às perspectivas e práticas do contexto atual. Esperamos um bom debate nesse Simpósio Temático.

    10. RELAÇÕES BRASIL-ESTADOS UNIDOS NA GUERRA FRIA: DIPLOMACIA, POLÍTICAS DE ESTADO E MOVIMENTOS SOCIAIS

    • Prof. Dr. Pedro Carvalho Oliveira (DHI/UEM)
  • Prof. Me. José Victor Lara (PPH/UEM)
  • A Guerra Fria abrasou o século XX. Nossa contemporaneidade sente ainda os desdobramentos dos conflitos adensados no período entre o final da Segunda Guerra Mundial e a dissolução da União Soviética. O Brasil vivenciou direta ou indiretamente os efeitos das disputas entre EUA e URSS. Em diferentes momentos, os governos brasileiros seguiram um movimento pendular, de distanciamento e aproximação, com o bloco estadunidense, prevalecendo a proximidade. No cenário interno, muitos movimentos e organizações nacionais surgiram com tendências comunistas e à esquerda, fosse sob a égide soviética ou não. Pensando nesses processos, o simpósio temático deverá reunir pesquisas dedicadas ao exame das relações entre Brasil e Estados Unidos no período da Guerra Fria, compreendendo os meandros da dinâmica diplomática e os embates entre as políticas de Estado dos dois países, além da existência de movimentos sociais que criticavam ou defendiam uma intervenção incisiva do governo estadunidense no Brasil.